Quando era criança ouvia os mais velhos falando de um dos nossos vizinhos, por ser extremamente discreto e Maçom(?). Coisa estranha, pois, embora falassem com admiração percebia que essas mesmas pessoas nutriam um fio de medo ou receio dele. Eu passav tempos à sombras de uma grande mangueira, ladeada de uma árvore que, tempos em tempos, florescia cachos amarelos com pequenas e lindíssimas flores. Eu, também, alimentado em minhas imaginações sobre medo e receio daquele senhor, o admirava, ficava quase hipnotizado observando-o enquanto lia livros e mais livros, sentado numa cadeira de madeira exatamente embaixo da árvore com cachos amarelos... Nas noites quintas-feiras, lá ia aquele senhor, todo de preto, entrando em seu fusquinha vermelho. Curioso parecer a minha visão que seu destino fosse sempre algum velório. Isso sim me dava medo. Eu achava que morria muita gente do seu círculo de amizade. Daí, eu começava a culpar os vendedores de garrafas ou de vassouras, pois, no meio da molecada, esses eram Comensais ou Mensageiros da morte. Mas, eu queria ser igualzinho a ele! Um dia vi muitos outros, iguais ao nosso observado vizinho, chegando à sua casa. Eram muitos e visivelmente chorosos. De idosos a outros relativamente novos, muitos... Ouvi dizer que ele, nosso vizinho, havia ido embora deste mundo e o tal “Grande Mestre” o havia levado. Conclui que esse tal “Grande Mestre” era ruim, pois, só alguém muito ruim poderia ter feito aquilo. Umchefe de família que fazia boa ações para as pessoas, que distruia comida/ sopa para os pobres em baixo de viadutos pela cidade, que dava roupas e cadernos para tantos, inclusive amigos meus. Sua esposa, com a cabeça coberta por um véu negro, era amparada por esses homens que, também, se diziam irmãos dele. Nossa que família grande!!! Mas, era só a visão de um menino de 11 anos... Esse menino era eu... Hoje, maduro, não como os cachos de flores amarelas, mas também Maçom. Não sei se, um dia, serei ao menos parecido com ele... Assim Deus, "o Grande Mestre", me ajude, me oriente e me mantenha afastado do cálice amargo da vaidade...!


Respeitável irmão Condor Negro... O Grande Mestre esteja contigo. Percebe-se a grandiosidade dessa narrativa principalmente por ter sido vivida por um, então, menino que no alge de sua pureza percebia sutis manifestações de fraternidade e que no devido tempo foste-lhe mostrada. Rogo aos deus de todas as coisas que o mantenha assim, sincero e correto em suas colocações.
ResponderExcluirFraternalmente,